Estou fazendo um samba enredo pro centenário da escola de samba Estácio de Sá Este é o enredo: INTRODUÇÃO O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá tem como enredo o “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, a primeira escola de samba do Brasil apresenta a perspectiva de um plano dimensional no qual se constroem narrativas dos bambas em tempos idos e do processo histórico das escolas de samba cariocas. Além disso, o enredo dialoga com a historiografia do bairro, especialmente com a da sua escola de samba, herdeira da Deixa Falar, amplamente referenciada na história do carnaval carioca. Play Video A inesquecível Turma do Estácio, eternizada na memória dos sambistas, volta a se reunir em uma dimensão alternativa, recurso próprio da natureza poética e imaginativa do artista carnavalesco e dos sambistas, capaz de atravessar o tempo e criar mundos possíveis. Nesse plano, o passado não se encerra, mas dialoga com o percurso das escolas de ontem e de hoje. Nesse universo imaginário, território mítico, as cenas da vivência no bairro do Estácio, das perspectivas dos bambas reunidos à mesa de bar e do percurso seguido pelas escolas de samba cariocas até a atualidade passam diante dos olhares de Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Outrossim, o enredo reúne narrativas desses bambas em outra dimensão, bem como aportes literários que abordam a geografia e seus personagens, além de contribuições orais sobre esse lugar de criação das hoje mundialmente reconhecidas escolas de samba. SINOPSE DO ENREDO [Quem vem lá, quem vem lá é o velho Estácio… Estácio escola primeira veio saudar a Portela cumprimentar a Mangueira…] (Quem Vem Lá – samba de Bide – Marçal)As memórias dos sambistas e a literatura sobre o samba, voltadas às escolas de samba, demonstram que, no coração do Rio de Janeiro, existe um lugar onde o tempo aprendeu, e ainda aprende, a sambar de forma genuína. Trata-se do Largo do Estácio, localizado próximo aos antigos templos do samba e ao atual Sambódromo da Marquês de Sapucaí, espaço onde as escolas de samba revivem histórias e memórias. Nesse lugar, as memórias atravessam décadas, e ecos de batuques que nunca se calaram ressoam ao longo de um século. Ali, um antigo bairro guarda histórias que pertencem à própria origem do carnaval, sobretudo quando se trata de seus protagonistas: Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Nesse território simbólico, onde passado e presente se encontram como versos de um mesmo samba, a mesa do velho Estácio permanece viva no imaginário dos estacianos, como se os bambas observassem não apenas a agremiação, mas também o carnaval e suas transformações ao longo do tempo. Nesse cenário, aqueles que deram origem ao maior espetáculo da Terra, criadores de novos ritmos e instrumentos que ecoam até a atualidade, seguem a zelar pelo samba-enredo e pela escola de samba Estácio de Sá a partir de outra dimensão. Assim, esses bambas, ao romperem com a lógica dos ranchos carnavalescos, propuseram uma nova estrutura baseada em ritmo, organização e narrativa. Nesse sentido, a Deixa Falar, escola de samba criada por eles, não apenas inovou, como instituiu um paradigma para esse novo modelo de samba concebido pelos bambas do velho Estácio. Ao criar a onomatopéia bumbum paticumbum prugurundum, Ismael Silva indicava que tal conceito nasceu para estruturar a marcação rítmica do samba, utilizada não apenas para orientar o ritmo, mas também como forma de chamado para o ato de sambar. Em linhas gerais, buscava-se uma configuração que organizasse a festa, orientasse o samba e o desfile, criando uma cadência própria que daria origem à base rítmica das baterias. Na concepção do sambista, essa expressão sintetizava a profundidade do carnaval das escolas de samba, ancorada na ancestralidade afro-brasileira e no ritmo popular. Evocava, ainda, batidas que dialogavam com tradições de terreiro1, nas quais pulsos graves, repetições e chamadas coletivas estruturam a comunicação entre corpo, música e comunidade. Nesse contexto, o enredo se debruça sobre os desejos de transformação desses homens em vida e sobre suas reflexões, agora ampliadas por outro tempo, acerca dos frutos gerados pela semente plantada no momento em que nascia a cultura das escolas de samba cariocas. Ao mesmo tempo, celebra a permanência dessa obra viva, refletida na criatividade dos enredos e sambas que conquistaram o povo e se tornaram parte essencial da identidade cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. Isso posto, o bairro tornou-se, então, uma verdadeira sala de aula do samba, uma vez que o termo escola passou a integrar os desfiles de maneira mais abrangente. A historiografia do samba revela a importância dessa concepção, visto que outros sambistas passaram a frequentar esse espaço da cidade. A coletividade, voltada aos desfiles, ganhou novos contornos, sustentada por instrumentos, poesia popular, criações e diálogos. Desse modo, o carnaval carioca consolidou-se como uma das festas mais populares do país, ultrapassando fronteiras nacionais. Nesse universo, os bambas veem, diante de seus olhos, cenas que remontam à formação da escola de samba Estácio de Sá, resultado da união de outras agremiações ao longo de décadas de história do samba no Morro de São Carlos, território que preservou o espírito da escola pioneira. Por conta dessa natureza festiva carnavalesca, a tradição segue viva nos becos, nos quintais e nas festas populares, reinventando-se como forma de resistência cultural. Nesse contexto, revelaram-se artistas, pensadores e vozes marcantes da cultura brasileira. Entre eles, Acelino dos Santos, o Bicho Novo, lendário mestre-sala do carnaval carioca, Luiz Melodia, cuja obra dialoga com a boemia e o compasso do Estácio, Dominguinhos do Estácio, de voz potente, Gonzaguinha, cuja poesia transformou dor em esperança, e tantos outros bambas, compositores e intérpretes da alma suburbana que ecoa nas esquinas do Rio. É nesse mesmo fluxo de memória e continuidade que a Turma do Estácio, em dimensão simbólica, se reúne à mesa com outros bambas2 de grande relevância para o universo das escolas de samba. Ali, a fina nata da malandragem, trajada no puro linho, com gomas e vincos impecáveis, divide espaço com as mulheres da vida, figuras marcantes das noites do Estácio, de riso fácil, perfume forte e olhar sabido, que também faziam pulsar aquele território boêmio. Entre copos tilintando, o riscar dos fósforos, a fumaça dos cigarros e conversas atravessadas, malandros e damas da noite se encontram para rememorar e celebrar tempos idos e presentes, compondo o cenário vivo de uma época em que a rua era palco, abrigo e poesia, ampliando o coro de vozes que sustentam, preservam e reinventam essa tradição. As cenas de transformação observadas pelos bambas ultrapassam as ruas do bairro e alcançam a Avenida Marquês de Sapucaí, que transformou o sonho em espetáculo. Em suas memórias, os desfiles não nascem em um palco fixo, mas percorrem a própria história urbana do Rio de Janeiro. Antes da consolidação de uma passarela definitiva, o carnaval foi itinerante, ocupando diferentes espaços da cidade3, acompanhando o crescimento da festa. Hoje, esse templo do samba é o espaço onde, ano após ano, se escrevem narrativas heróicas, ficcionais e realistas pelas agremiações cariocas. Nessa ambiência, os bambas reconhecem que a história do samba se constrói pela genialidade coletiva das escolas. Suas transformações foram, e continuam sendo, a força motriz que impulsiona projetos e mudanças ao longo de um século, evidenciadas nas disputas memoráveis. A Turma do Estácio se encanta com cenas marcadas por enredos estacianos, que trouxeram elementos da sua própria história que: atravessaram o sul do país em festas populares; trataram de eventos poéticos; perfumaram o ar com cravo, canela e com o sapoti; iluminaram-se em procissões de fé; transformaram-se em hino de torcida de futebol; exaltaram a negritude como força ancestral; ecoaram nas ondas do rádio e transformaram a noite boêmia em espetáculo de cultura e identidade. Eles ainda contemplaram as coirmãs, que trouxeram para a avenida a amplitude da religiosidade, a irreverência, a crítica social, a arte e a história, como ciência, literária, além de corpos e alegorias, que passaram a desafiar os limites das visões atentas ao espetáculo. Entre olhares cúmplices e silêncios, os bambas reconhecem o Estácio como origem viva, raiz que floresce no tempo. Acima de tudo, ventre criador de inúmeros desdobramentos culturais que se expandiram pelo país e alcançaram projeção internacional. Ademais, o chamado de seu tambor cadenciado organizou e ainda organiza o corpo, conduz passos e dá forma ao cortejo carnavalesco admirado em diversas partes do mundo. Por fim, os mestres do Estácio se entreolham e percebem que o tempo sorri para aquela mesa de bar onde tudo começou. Entre memórias e acordes imaginários de um velho cavaquinho, surgem recordações que não se expressam apenas pelos nomes dos protagonistas, mas pelas sensações que deixaram. JUSTIFICATIVA […]A primeira Escola de Samba Surgiu no Estácio de Sá Eu digo isso e afirmo E posso provar[…] (Jota Sandoval- Pereira Mattos) A criação das escolas de samba representa a afirmação de saberes historicamente marginalizados, reconhecendo a religiosidade, os nomes, as artes e as culturas afrodescendentes como fundamentos legítimos da identidade nacional. Nesse cenário, celebrar o centenário de uma instituição é honrar uma herança de resistência e resiliência, marcada por transformações sociais e culturais que se inscrevem como um dos mais potentes movimentos de decolonialidade4 da sociedade brasileira. Ademais, a decolonialidade enfrenta os processos de apagamento do ser, do saber e do pertencer vividos pela diáspora africana, afirmando suas memórias, espiritualidades, linguagens e formas de existência como centrais na construção da sociedade, o que encontra plena correspondência nas escolas de samba. Um século de existência é uma biografia de gratidão. Um centenário representa a solidificação de valores, o desenvolvimento de gerações e a capacidade de inovar sem romper com as tradições. É a ocasião de reconhecer a dedicação de fundadores, da comunidade e de todos aqueles que, ao longo do tempo, construíram essa história. Nesse sentido, o Grêmio Recreativo Estácio de Sá justifica este enredo ao trazer como protagonistas Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal e toda a Turma do Estácio, por ideias que renovaram, em tempos distantes, os desfiles carnavalescos. Em um plano dimensional, eles narram a trajetória da agremiação e reverenciam suas coirmãs com respeito e admiração pelos feitos consagrados nas avenidas de desfiles ao longo de suas décadas de existência. A trajetória de um século do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá trazida por memórias, legados e lembranças, destaca sua contribuição para o carnaval carioca e para o Brasil. O caminho percorrido pela agremiação transformou o que hoje conhecemos como a grande festa carnavalesca do país e foi assim, no passado, que muitas outras escolas de samba buscaram suas identidades e encontraram caminhos para construir sua própria história no cenário do carnaval.Logo, essa celebração de cem anos evidencia uma geografia que, em um passado distante, foi decisiva nas transformações do carnaval e da sociedade. Ao mesmo tempo, projeta-se para o futuro, comprometida com a continuidade de processos criativos e inovadores. Assim, essa celebração não pertence apenas à Estácio de Sá, mas também à cidade, às coirmãs, à comunidade e ao Brasil. Este é o samba: É noite e o breu veste a esquina O candeeiro alumia o caminhar Desço o morro do São Carlos A profecia nos passos Pro destino se firmar Linho branco nas vielas Um marafo nos bordéis Dedilhando poesias Na mesa, parceiros fiéis Algoz da opressão, subversivo Algemado e perseguido Boêmia fez altar Eu resisto no batuque clandestino Onde o samba vira hino Patrimônio popular *Firma o ponto na encruza* *A fogueira clareia* *Pra Ogum, meu rancho marcha* *Chamando o luar* *Companhia de malandro é a lua cheia* *Batuqueiro sobe a caixa* *É samba de sambar* Segue o cortejo à Rio Branco Palco riscado de memórias ancestrais Lembranças em compasso coletivo Terra de ecos vivos e sonhos atemporais Ó meu leão Se fez Escola que ensina a desfilar Nasce da união, o Velho Estácio de Sá Eu visto esse manto e vou por aí Paixão centenária não é desengano O sangue vermelho e o orgulho de ser Estaciano *Se eu sou sambista, a ti devo a honra* *Tu és resistência do meu Carnaval* *Berço do samba* *E quem quiser, Deixa Falar...* *Meu grande amor* *Estácio de Sá* Quero fazer um vídeo clipe para colocar a gravação de áudio do samba de fundo. O vídeo tem que ter aproximadamente 6 minutos. O samba conta Ismael em 1ª pessoa descendo o modo do São Carlos a noite, sob luz de candeeiros e indo encontrar seus parceiros fiéis numa mesa de bordel e de bar, pra fazer roda de samba clandestina, numa época que os sambistas eram condenamos e ditos subversivos. Depois tem os ranchos carnavalescos e a mudança para os carnavais nos moldes atuais, fazendo uma brincadeira com Ogum que é o padroeiro da escola e da bateria do Estácio. Depois falo do novo carnaval na rua Rio Branco, onde é une compassos e histórias (enredos) atemporais, falando de pessoas que já se foram e que aqui estão e do encontro de bambas no céu vendo os desfiles atuais. Após isso, vem a declaração de amor ao Estácio, ao Leão que é o símbolo da escola e a Estácio que ensinou a todos como se desfila. No final falo do orgulho de ser torcedor do Estácio e da comemoração dos 100 anos da escola. No refrão debaixo que é o principal, eu falo que se hoje somos sambistas, somos sambistas porque a Estácio existe, foi a pioneira. Falo do amor da Estácio, onde tem uma brincadeira de Ismael em 1ª pessoa e de todo folião e torcedor do Estácio cantando em 1ª pessoa, também

Estou fazendo um samba enredo pro centenário da escola de samba Estácio de Sá Este é o enredo: INTRODUÇÃO O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá tem como enredo o “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, a primeira escola de samba do Brasil apresenta a perspectiva de um plano dimensional no qual se constroem narrativas dos bambas em tempos idos e do processo histórico das escolas de samba cariocas. Além disso, o enredo dialoga com a historiografia do bairro, especialmente com a da sua escola de samba, herdeira da Deixa Falar, amplamente referenciada na história do carnaval carioca. Play Video A inesquecível Turma do Estácio, eternizada na memória dos sambistas, volta a se reunir em uma dimensão alternativa, recurso próprio da natureza poética e imaginativa do artista carnavalesco e dos sambistas, capaz de atravessar o tempo e criar mundos possíveis. Nesse plano, o passado não se encerra, mas dialoga com o percurso das escolas de ontem e de hoje. Nesse universo imaginário, território mítico, as cenas da vivência no bairro do Estácio, das perspectivas dos bambas reunidos à mesa de bar e do percurso seguido pelas escolas de samba cariocas até a atualidade passam diante dos olhares de Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Outrossim, o enredo reúne narrativas desses bambas em outra dimensão, bem como aportes literários que abordam a geografia e seus personagens, além de contribuições orais sobre esse lugar de criação das hoje mundialmente reconhecidas escolas de samba. SINOPSE DO ENREDO [Quem vem lá, quem vem lá é o velho Estácio… Estácio escola primeira veio saudar a Portela cumprimentar a Mangueira…] (Quem Vem Lá – samba de Bide – Marçal)As memórias dos sambistas e a literatura sobre o samba, voltadas às escolas de samba, demonstram que, no coração do Rio de Janeiro, existe um lugar onde o tempo aprendeu, e ainda aprende, a sambar de forma genuína. Trata-se do Largo do Estácio, localizado próximo aos antigos templos do samba e ao atual Sambódromo da Marquês de Sapucaí, espaço onde as escolas de samba revivem histórias e memórias. Nesse lugar, as memórias atravessam décadas, e ecos de batuques que nunca se calaram ressoam ao longo de um século. Ali, um antigo bairro guarda histórias que pertencem à própria origem do carnaval, sobretudo quando se trata de seus protagonistas: Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Nesse território simbólico, onde passado e presente se encontram como versos de um mesmo samba, a mesa do velho Estácio permanece viva no imaginário dos estacianos, como se os bambas observassem não apenas a agremiação, mas também o carnaval e suas transformações ao longo do tempo. Nesse cenário, aqueles que deram origem ao maior espetáculo da Terra, criadores de novos ritmos e instrumentos que ecoam até a atualidade, seguem a zelar pelo samba-enredo e pela escola de samba Estácio de Sá a partir de outra dimensão. Assim, esses bambas, ao romperem com a lógica dos ranchos carnavalescos, propuseram uma nova estrutura baseada em ritmo, organização e narrativa. Nesse sentido, a Deixa Falar, escola de samba criada por eles, não apenas inovou, como instituiu um paradigma para esse novo modelo de samba concebido pelos bambas do velho Estácio. Ao criar a onomatopéia bumbum paticumbum prugurundum, Ismael Silva indicava que tal conceito nasceu para estruturar a marcação rítmica do samba, utilizada não apenas para orientar o ritmo, mas também como forma de chamado para o ato de sambar. Em linhas gerais, buscava-se uma configuração que organizasse a festa, orientasse o samba e o desfile, criando uma cadência própria que daria origem à base rítmica das baterias. Na concepção do sambista, essa expressão sintetizava a profundidade do carnaval das escolas de samba, ancorada na ancestralidade afro-brasileira e no ritmo popular. Evocava, ainda, batidas que dialogavam com tradições de terreiro1, nas quais pulsos graves, repetições e chamadas coletivas estruturam a comunicação entre corpo, música e comunidade. Nesse contexto, o enredo se debruça sobre os desejos de transformação desses homens em vida e sobre suas reflexões, agora ampliadas por outro tempo, acerca dos frutos gerados pela semente plantada no momento em que nascia a cultura das escolas de samba cariocas. Ao mesmo tempo, celebra a permanência dessa obra viva, refletida na criatividade dos enredos e sambas que conquistaram o povo e se tornaram parte essencial da identidade cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. Isso posto, o bairro tornou-se, então, uma verdadeira sala de aula do samba, uma vez que o termo escola passou a integrar os desfiles de maneira mais abrangente. A historiografia do samba revela a importância dessa concepção, visto que outros sambistas passaram a frequentar esse espaço da cidade. A coletividade, voltada aos desfiles, ganhou novos contornos, sustentada por instrumentos, poesia popular, criações e diálogos. Desse modo, o carnaval carioca consolidou-se como uma das festas mais populares do país, ultrapassando fronteiras nacionais. Nesse universo, os bambas veem, diante de seus olhos, cenas que remontam à formação da escola de samba Estácio de Sá, resultado da união de outras agremiações ao longo de décadas de história do samba no Morro de São Carlos, território que preservou o espírito da escola pioneira. Por conta dessa natureza festiva carnavalesca, a tradição segue viva nos becos, nos quintais e nas festas populares, reinventando-se como forma de resistência cultural. Nesse contexto, revelaram-se artistas, pensadores e vozes marcantes da cultura brasileira. Entre eles, Acelino dos Santos, o Bicho Novo, lendário mestre-sala do carnaval carioca, Luiz Melodia, cuja obra dialoga com a boemia e o compasso do Estácio, Dominguinhos do Estácio, de voz potente, Gonzaguinha, cuja poesia transformou dor em esperança, e tantos outros bambas, compositores e intérpretes da alma suburbana que ecoa nas esquinas do Rio. É nesse mesmo fluxo de memória e continuidade que a Turma do Estácio, em dimensão simbólica, se reúne à mesa com outros bambas2 de grande relevância para o universo das escolas de samba. Ali, a fina nata da malandragem, trajada no puro linho, com gomas e vincos impecáveis, divide espaço com as mulheres da vida, figuras marcantes das noites do Estácio, de riso fácil, perfume forte e olhar sabido, que também faziam pulsar aquele território boêmio. Entre copos tilintando, o riscar dos fósforos, a fumaça dos cigarros e conversas atravessadas, malandros e damas da noite se encontram para rememorar e celebrar tempos idos e presentes, compondo o cenário vivo de uma época em que a rua era palco, abrigo e poesia, ampliando o coro de vozes que sustentam, preservam e reinventam essa tradição. As cenas de transformação observadas pelos bambas ultrapassam as ruas do bairro e alcançam a Avenida Marquês de Sapucaí, que transformou o sonho em espetáculo. Em suas memórias, os desfiles não nascem em um palco fixo, mas percorrem a própria história urbana do Rio de Janeiro. Antes da consolidação de uma passarela definitiva, o carnaval foi itinerante, ocupando diferentes espaços da cidade3, acompanhando o crescimento da festa. Hoje, esse templo do samba é o espaço onde, ano após ano, se escrevem narrativas heróicas, ficcionais e realistas pelas agremiações cariocas. Nessa ambiência, os bambas reconhecem que a história do samba se constrói pela genialidade coletiva das escolas. Suas transformações foram, e continuam sendo, a força motriz que impulsiona projetos e mudanças ao longo de um século, evidenciadas nas disputas memoráveis. A Turma do Estácio se encanta com cenas marcadas por enredos estacianos, que trouxeram elementos da sua própria história que: atravessaram o sul do país em festas populares; trataram de eventos poéticos; perfumaram o ar com cravo, canela e com o sapoti; iluminaram-se em procissões de fé; transformaram-se em hino de torcida de futebol; exaltaram a negritude como força ancestral; ecoaram nas ondas do rádio e transformaram a noite boêmia em espetáculo de cultura e identidade. Eles ainda contemplaram as coirmãs, que trouxeram para a avenida a amplitude da religiosidade, a irreverência, a crítica social, a arte e a história, como ciência, literária, além de corpos e alegorias, que passaram a desafiar os limites das visões atentas ao espetáculo. Entre olhares cúmplices e silêncios, os bambas reconhecem o Estácio como origem viva, raiz que floresce no tempo. Acima de tudo, ventre criador de inúmeros desdobramentos culturais que se expandiram pelo país e alcançaram projeção internacional. Ademais, o chamado de seu tambor cadenciado organizou e ainda organiza o corpo, conduz passos e dá forma ao cortejo carnavalesco admirado em diversas partes do mundo. Por fim, os mestres do Estácio se entreolham e percebem que o tempo sorri para aquela mesa de bar onde tudo começou. Entre memórias e acordes imaginários de um velho cavaquinho, surgem recordações que não se expressam apenas pelos nomes dos protagonistas, mas pelas sensações que deixaram. JUSTIFICATIVA […]A primeira Escola de Samba Surgiu no Estácio de Sá Eu digo isso e afirmo E posso provar[…] (Jota Sandoval- Pereira Mattos) A criação das escolas de samba representa a afirmação de saberes historicamente marginalizados, reconhecendo a religiosidade, os nomes, as artes e as culturas afrodescendentes como fundamentos legítimos da identidade nacional. Nesse cenário, celebrar o centenário de uma instituição é honrar uma herança de resistência e resiliência, marcada por transformações sociais e culturais que se inscrevem como um dos mais potentes movimentos de decolonialidade4 da sociedade brasileira. Ademais, a decolonialidade enfrenta os processos de apagamento do ser, do saber e do pertencer vividos pela diáspora africana, afirmando suas memórias, espiritualidades, linguagens e formas de existência como centrais na construção da sociedade, o que encontra plena correspondência nas escolas de samba. Um século de existência é uma biografia de gratidão. Um centenário representa a solidificação de valores, o desenvolvimento de gerações e a capacidade de inovar sem romper com as tradições. É a ocasião de reconhecer a dedicação de fundadores, da comunidade e de todos aqueles que, ao longo do tempo, construíram essa história. Nesse sentido, o Grêmio Recreativo Estácio de Sá justifica este enredo ao trazer como protagonistas Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal e toda a Turma do Estácio, por ideias que renovaram, em tempos distantes, os desfiles carnavalescos. Em um plano dimensional, eles narram a trajetória da agremiação e reverenciam suas coirmãs com respeito e admiração pelos feitos consagrados nas avenidas de desfiles ao longo de suas décadas de existência. A trajetória de um século do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá trazida por memórias, legados e lembranças, destaca sua contribuição para o carnaval carioca e para o Brasil. O caminho percorrido pela agremiação transformou o que hoje conhecemos como a grande festa carnavalesca do país e foi assim, no passado, que muitas outras escolas de samba buscaram suas identidades e encontraram caminhos para construir sua própria história no cenário do carnaval.Logo, essa celebração de cem anos evidencia uma geografia que, em um passado distante, foi decisiva nas transformações do carnaval e da sociedade. Ao mesmo tempo, projeta-se para o futuro, comprometida com a continuidade de processos criativos e inovadores. Assim, essa celebração não pertence apenas à Estácio de Sá, mas também à cidade, às coirmãs, à comunidade e ao Brasil. Este é o samba: É noite e o breu veste a esquina O candeeiro alumia o caminhar Desço o morro do São Carlos A profecia nos passos Pro destino se firmar Linho branco nas vielas Um marafo nos bordéis Dedilhando poesias Na mesa, parceiros fiéis Algoz da opressão, subversivo Algemado e perseguido Boêmia fez altar Eu resisto no batuque clandestino Onde o samba vira hino Patrimônio popular *Firma o ponto na encruza* *A fogueira clareia* *Pra Ogum, meu rancho marcha* *Chamando o luar* *Companhia de malandro é a lua cheia* *Batuqueiro sobe a caixa* *É samba de sambar* Segue o cortejo à Rio Branco Palco riscado de memórias ancestrais Lembranças em compasso coletivo Terra de ecos vivos e sonhos atemporais Ó meu leão Se fez Escola que ensina a desfilar Nasce da união, o Velho Estácio de Sá Eu visto esse manto e vou por aí Paixão centenária não é desengano O sangue vermelho e o orgulho de ser Estaciano *Se eu sou sambista, a ti devo a honra* *Tu és resistência do meu Carnaval* *Berço do samba* *E quem quiser, Deixa Falar...* *Meu grande amor* *Estácio de Sá* Quero fazer um vídeo clipe para colocar a gravação de áudio do samba de fundo. O vídeo tem que ter aproximadamente 6 minutos. O samba conta Ismael em 1ª pessoa descendo o modo do São Carlos a noite, sob luz de candeeiros e indo encontrar seus parceiros fiéis numa mesa de bordel e de bar, pra fazer roda de samba clandestina, numa época que os sambistas eram condenamos e ditos subversivos. Depois tem os ranchos carnavalescos e a mudança para os carnavais nos moldes atuais, fazendo uma brincadeira com Ogum que é o padroeiro da escola e da bateria do Estácio. Depois falo do novo carnaval na rua Rio Branco, onde é une compassos e histórias (enredos) atemporais, falando de pessoas que já se foram e que aqui estão e do encontro de bambas no céu vendo os desfiles atuais. Após isso, vem a declaração de amor ao Estácio, ao Leão que é o símbolo da escola e a Estácio que ensinou a todos como se desfila. No final falo do orgulho de ser torcedor do Estácio e da comemoração dos 100 anos da escola. No refrão debaixo que é o principal, eu falo que se hoje somos sambistas, somos sambistas porque a Estácio existe, foi a pioneira. Falo do amor da Estácio, onde tem uma brincadeira de Ismael em 1ª pessoa e de todo folião e torcedor do Estácio cantando em 1ª pessoa, também

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July 5, 2026, 02:11
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